Rui prevê ocupação de leitos até 1ª semana de junho e anuncia nova forma de testagem

Rui prevê ocupação de leitos até 1ª semana de junho e anuncia nova forma de testagem
Governador afirma que, mesmo com ampliação de leitos, estado não escapa do colapso |Foto: Joá Souza | Ag. A TARDE

O governador Rui Costa afirmou nesta quinta-feira que os 1.300 leitos específicos que o estado pretende montar para tratar exclusivamente de casos de coronavírus podem ser totalmente ocupados entre o fim de maio e a primeira semana de junho, o que provocaria o colapso no sistema de saúde baiano. Um cenário ainda mais delicado é que o governo estadual tem tido dificuldade de comprar respiradores para equipar as unidades. Segundo o governador, a Bahia não conseguiu receber nenhum dos equipamentos comprados no exterior porque eles viraram “barra de ouro” e há disputa entre governos do mundo inteiro e a iniciativa privada pelos aparelhos.

“Nossa meta é chegarmos até o fim do mês com 1.300 leitos específicos, isso se conseguirmos efetivar a compra de respiradores. Quando eu falo efetivar, é receber. Não tem sido fácil. A Bahia, até esse dado momento, não concluiu nenhuma compra de respirador do exterior. Esse equipamento virou uma barra de ouro, o mundo inteiro está comprando. Estão empurrando nossos prazos de entrega porque há gente no mundo, sejam atravessadores, hospitais que estão pagando preço muito acima”, explicou Rui, em entrevista a rádios do sudoeste baiano na manhã desta quinta-feira, 7.

Segundo o petista, o governo cancelou na semana passada uma compra de respiradores da China porque o fornecedor estava postergando o prazo de entrega. Há expectativa de que uma remessa de equipamentos chegue ao estado neste fim de semana.

Mesmo com a quantidade extra de leitos, o estado terá o sistema saturado se a contaminação não diminuir. “Isso não não é suficiente, infelizmente, se eles [casos] continuarem crescendo, mesmo no ritmo da Bahia, que é menor do que o do resto do Brasil”, ponderou.

Testagem
Rui informou que tem analisado formas de aumentar a capacidade de testagem e também tornar os diagnósticos mais efetivos. Em reunião com a empresa chinesa Huaweii, ele acertou o início de testes de um software de tomografia que pode ser mais uma método de exame para detectar o coronavírus.

“Eles garantem que a taxa de sucesso no laudo do software é de 98% de acerto. A tomografia teria uma vantagem em relação ao exame nasal que é a detecção no terceiro dia da doença, porque a tomografia monitora os impactos da doença no pulmão”, explicou. Caso o software passe a ser utilizado no estado, ele deve ser aplicado, inicialmente, em profissionais que trabalham nas unidades de saúde, desde médicos a trabalhadores da área de limpeza e alimentação, focos da disseminação da pandemia.

Estradas
O governador criticou o governo federal pela não fiscalização das estradas. Conforme Rui, a falta de reforço no policiamento tem permitido com que ônibus clandestinos transportem para as cidades pessoas sem o mínimo de proteção, como máscaras.

“Nós já tentamos fazer a fiscalização, mas eles [governo federal] não permitem, fechando os olhos para a circulação de ônibus clandestinos, e isso acelera o processo de contaminação, principalmente cidades que estão nas margens de BRs”, lamentou.

Rui também criticou o comportamento do governo no combate ao coronavírus, que, segundo ele, tem “atrapalhado muito”. O governador acusou Bolsonaro de não ter respeito e nem compaixão pela vida das pessoas e previu que, além do tragédia humana, o país terá muita dificuldade na retomada econômica após o período mais crítico da pandemia porque a imagem internacional do Brasil está “queimada” pela postura do presidente.

Ajuda financeira
O governador comemorou a aprovação do pacote de auxílio financeiro a estados e municípios, apesar de criticar a forma como a distribuição dos recursos será feita.

“Essa votação não adotou critérios justos de distribuição regional, mas trabalhei pela aprovação. O valor aprovado pelo Senado vai ter um valor expressivo para os municípios da Bahia. Alguns receberão algo equivalente a 70%, 80% o orçamento anual da saúde. Então alguns municípios terão quase o dobro do orçamento”, ponderou.

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