Pandemia ‘longe do fim’ faz estragos nas Américas e na Ásia

Pandemia ‘longe do fim’ faz estragos nas Américas e na Ásia
Brasil teve pior semana da pandemia do novo coronavírusYuri Cortez | AFP

Por AFP

O Brasil encerrou sua pior semana da pandemia do novo coronavírus em número de contágios, enquanto os Estados Unidos continuam sofrendo um aumento importante no registro de casos e a China reportava uma recidiva, que as autoridades consideram grave.

Como disse nesta segunda-feira, 29, o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, a pandemia “está longe do fim”.

“Todos queremos que acabe. Todos queremos seguir com nossas vidas. Mas a dura realidade é que estamos longe do fim”, acrescentou.

De fato, o número de contágios e óbitos continua aumentando globalmente, com 10.220.356 e 502.947, respectivamente, até as 19h de Brasília desta segunda, segundo contagem da AFP a partir de dados oficiais.

Pior semana do Brasil

O Brasil teve sua pior semana na pandemia em números de novos casos, ao registrar 259,105 infecções em sete dias até este domingo, alcançando quase 1,35 milhão, segundo cifras do Ministério da Saúde.

Além disso, teve o segundo maior registro de mortes semanais, com 7.005, pouco abaixo do recorde da semana passada, de 7.285.

Nesta segunda, os casos confirmados no país totalizavam 1.368.195, com 24.052 novos contágios contabilizados desde o domingo. Os mortos chegaram a 58.314, com um aumento de 692 óbitos em um dia.

Michael Ryan, diretor-executivo do programa de gestão de emergências sanitárias da OMS, incentivou o Brasil a combater a doença e “unir os esforços federais e estaduais de forma sistemática”.

Ele acrescentou que seria “estúpido subestimar a dimensão e a complexidade” da situação do Brasil, que “enfrenta um desafio importante e uma resposta exaustiva é necessária em todos os níveis”, embora tenha destacado o histórico do Brasil em sua luta contra as doenças infecciosas.

No domingo, houve manifestações em várias cidades brasileiras e em outros países, como Estocolmo, Londres e Barcelona, contra o presidente Jair Bolsonaro, que tem minimizado o novo coronavírus, ao qual se referiu como uma “gripezinha”.

Em Brasília, manifestantes colocaram 1.000 cruzes no gramado em frente ao Congresso para homenagear as vítimas do coronavírus, com um cartaz que dizia: “Bolsonaro, pare de negar!”.

“Explosão real”

Os Estados Unidos registraram pelo menos 42.000 infecções por coronavírus nas últimas 24 horas, de acordo com a contagem desta segunda da Universidade Johns Hopkins, quando o país enfrenta um rápido aumento na doença.

O número de mortos nos Estados Unidos chegou a 126.131 (355 nas últimas 24 horas), enquanto os contágios totalizam 2.588.582.

E embora a cifra de mortes diárias tenha diminuído sutilmente em junho, os contágios aumentaram em 30 dos 50 estados da União, particularmente nos maiores e mais populosos do sul e do oeste: Califórnia, Texas e Flórida.

Além disso, a idade média dos infectados baixou para 33 anos, enquanto há dois meses era de 65 anos.

A Flórida enfrenta uma “explosão real” da doença entre os jovens, admitiu o governador, Ron DeSantis.

Miami e outras cidades decidiram voltar a fechar as praias a partir do próximo fim de semana, devido ao feriado nacional da Independência.

A cidade de Jacksonville, onde os republicanos vão celebrar sua convenção nacional em um evento que o presidente Donald Trump esperava realizar sem distanciamento físico, anunciou o uso obrigatório de máscara a partir desta segunda-feira.

A máscara se tornou um novo ponto de divisão política entre Trump e seus apoiadores republicanos e a oposição democrata.

Em Los Angeles e outros seis condados da Califórnia, as autoridades voltaram a ordenar o fechamento de bares no domingo.

As praias da cidade ficarão fechadas no feriado de 4 de julho, afirmaram autoridades, devido a um aumento dos casos no condado, que passaram dos 100.000 contágios confirmados nesta segunda.

“A vida me escapa”

O Peru, enquanto isso, porá fim na terça-feira (1) uma quarentena de mais de cem dias, mas vai manter o confinamento obrigatório nas sete regiões mais afetadas pela pandemia.

A quarentena será suspensa em Lima, cidade de 10 milhões de habitantes, onde o coronavírus está na descendente, segundo o governo, apesar de a capital acumular 70% dos casos do país.

Entre estes casos está o da família venezuelana Hernández, com 14 membros, que chegou há dois anos a Lima em busca de uma vida melhor, mas a pandemia pôs em xeque seus sonhos, pois todos se contagiaram com o novo coronavírus, que causou a morte do avô, Wilmer Arcadio Hernández, de 63 anos.

“Acho que a vida me escapa”, diz, com dificuldade, à AFP seu filho, Wilmer Ramón Hernández, de 44 anos, deitado em sua cama na casa na zona sul de Lima, ligado a um cilindro de oxigênio, que lhe permite respirar.

Aceleração na Ásia

A Ásia também vê uma aceleração dos casos, com a Índia à frente. Lá, nos últimos sete dias foram registrados quase 120.000 casos.

A China, onde a epidemia começou no fim do ano passado, vive uma recidiva. Sem contar Hong Kong e Macau, o país registra um total de 83.512 casos, entre eles 4.634 óbitos.

Em meio a esse novo surto “grave e complexo”, segundo as autoridades, o Exército chinês autorizou o uso em suas fileiras de uma vacina contra o novo coronavírus, criada pela Academia Militar de Ciências Médicas e a companhia farmacêutica CanSinoBIO.

No Irã, que com 10.670 mortos é o país mais afetado do Oriente Médio, registrou nesta segunda um recorde de óbitos: 162 nas últimas 24 horas.

O Irã nunca impôs um confinamento obrigatório, embora em março tenha suspenso os eventos públicos e fechado estabelecimentos não essenciais e escolas. A partir de abril, começou a suspender gradativamente as restrições para impulsionar a economia.

As autoridades decretaram no sábado o uso obrigatório da máscara em certos locais públicos.

Enquanto isso, na Europa, que iniciou uma suspensão gradual do confinamento, vários países europeus realizaram eleições neste fim de semana, entre eles a França e a Polônia.

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