Lideranças discutem estratégias de como fazer a reabertura da economia de forma segura e planejada

Lideranças discutem estratégias de como fazer a reabertura da economia de forma segura e planejada
Economista Armando Avena mediou um bate-papo online com o presidente da Associação Comercial da Bahia, Mario Dantas, Denio Cidreira, da Arena Fonte Nova e o presidente da Fecomércio, Carlos AndradeFoto: Reprodução

Caminhando rumo aos 80 dias de isolamento social na Bahia, uma das grandes crises provocadas pela pandemia do novo coronavírus acontece no setor econômico. Com a expectativa de tempos melhores diante da doença, com o achatamento da curva, o economista Armando Avena mediou um bate-papo online com o presidente da Associação Comercial da Bahia, Mario Dantas, Denio Cidreira, da Arena Fonte Nova e o presidente da Fecomércio, Carlos Andrade, para discutir estratégias visando garantir uma reabertura do comércio que seja segura e planejada para todos.

“Gostaríamos de uma reabertura lenta e gradual, planejada e segura. A expectativa do comércio é muito grande, tem um segmento focado que é o shopping center… Já existem 200 e tantos shoppings abertos. Poderia abrir uma parte do shopping, mas queremos planejamento e segurança, vamos ter que esperar a curva achatar. (…) Quando a gente faz a coisa planejada, vêm resultados melhores”, declarou o presidente da Fecomércio, Carlos Andrade.

Ele contou que existem cidades buscando alternativas para a retomada das atividades, como horários reduzidos. O presidente afirmou que entende o anseio é preciso da participação da prefeitura nesse debate do Estado, o que vai ajuda-los a construir um caminho com base na ciência. Para Andrade, se cada um fizer a sua parte obedecendo as medidas de contenção do vírus, será possível conseguir uma reabertura responsável.

De acordo com Denio Cidreira, o setor público e privado pode tirar algumas restrições e introduzir outras com processos e recursos tecnológicos. O presidente da Arena Fonte Nova afirmou que já existe um planejamento de isolamento social no espaço e que essa interação entre o público e privado é fundamental para que haja segurança, com base nas métricas. Ele pontuou ainda que o mundo continua super líquido de dinheiro e está à procura de bons projetos.

“Se fomos criativos e tivemos uma interlocução com os órgãos públicos, a gente vai retomar muito rápido e com absoluta segurança, respeitando os protocolos para poder garantir a segurança da população, porque nem pro comércio e nem pro turismo interessa que a população volte a ficar insegura em uma situação de pandemia”, declarou Cidreira.

Questionado sobre a relação com os bancos, o presidente da Fecomércio relatou que os empresários andam se queixando da dificuldade em conseguir empréstimos e programas do Governo Federal para empresas com faturamento menor. Segundo Carlos Andrade, os bancos estão “jogando muito duro” no que se refere à taxa de juros.

“Eu vejo isso com preocupação. Hoje eu presido o conselho do Sebrae aqui da Bahia e a quantidade de reclamações é enorme… o microempreendedor tem reclamado mais. O dinheiro não sai para os pequenos, para os médios”, relatou, afirmando que depois do coronavírus é preciso que o governo olhe mais para o pequeno é médio empresário. “Nós que geramos emprego e receita”.

O presidente da Associação Comercial da Bahia, Mario Dantas, mencionou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permite ao Banco Central dar liquidez ao mercado através de outras empresas, pontuando a sua importância. Ele ainda demonstrou preocupação com a iminência de uma crise política em meio à crise de saúde e econômica. Para ele, mais uma crise junto às que já vêm acontecendo é cair na “tempestade perfeita”.

“A gente precisa sair dessa situação, não quero polarizar, acho que aquela reunião que houve com os governadores e o presidente Jair Bolsonaro, na quinta-feira da semana passada, foi um começo, um momento que se estendeu a bandeira branca, mas é preciso que o presidente da República entenda que ele não é mais um cidadão ou o “candidato Jair Bolsonaro”, ele é o chefe de Estado e com todas as responsabilidades que essas funções lhe asseguram”, declarou, afirmando que o presidente não pode incentivar atos que vão de encontro a um poder constituído, como o Poder Judiciário. “Ele tem que ter a responsabilidade no exercício da presidência, de chefe de Estado”.

De acordo com Mario Dantas, é preciso que o presidente estabeleça um momento de estabilidade política, porque o país hoje, no meio de uma crise de saúde inédita que assola o mundo inteiro, não consegue combate-la sem a ajuda do Governo Federal.

Para Carlos Andrade, a mensagem final é de otimismo. “Temos que, primeiro, preservar cada um de nós. Somos uma parcela importante na retomada”, finalizou.

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