Especialistas explicam por que pessoas obesas estão no grupo de risco da Covid-19

Especialistas explicam por que pessoas obesas estão no grupo de risco da Covid-19
Especialistas alertam necessidade de se movimentar, mesmo dentro de casaFoto: Reprodução | Freepik

Considerado grupo de risco durante a pandemia do novo coronavírus, o número de pessoas obesas no Brasil vem crescendo ano após ano. De acordo com dados do Ministério da Saúde, houve aumento de 67,8% no número de brasileiros obesos nos últimos 13 anos, saindo de 11,8% em 2006 para 20,3% para 2019.

O médico e vice-presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (Sbem), Fábio Trujilho, alerta que estes dados são preocupantes, principalmente em tempos de pandemia da Covid-19, pois pessoas obesas costumam ter problemas relacionados a diabetes, hipertensão e doenças do coração.

Pessoas com excesso de peso, segundo explica Fábio, geram no organismo uma alteração da imunidade, o que provoca uma defesa imunológica maior do que o normal, deixando o paciente exposto a inflamações. Além disso, pessoas obesas também podem apresentar dificuldade de respiração e de mobilidade.

“Tudo isso pode ser agravado ainda mais com a Covid-19. Por exemplo, uma pessoa obesa que já tem problemas de respiração, vai ter o pulmão afetado. Então esta pessoa vai ser internada e pode existir uma dificuldade de movê-la no leito do hospital”, pontua o vice-presidente da Sbem.

Por conta destes fatores, o Ministério da Saúde inclui a obesidade no grupo de risco da pandemia, junto com a idade avançada, diabetes e doenças cardíacas.

“A idade é um fator muito grave de grupo de risco mas, com a obesidade, a Covid-19 chega a afetar muitos jovens. Isso porque, muitas vezes, estes jovens que estão obesos acabam se inserindo em diversos outros grupos de riscos”.

Os dados do Ministério da Saúde sobre os grupos de riscos são preocupantes. De acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2019, além do número de obesos aumentar no país, também aumentou o número da população adulta que apresenta diabetes e hipertensão. Dos brasileiros com doenças crônicas no país, 7,4% tem diabetes e 24,5% tem hipertensão.

Vice-presidente da Sbem, Fábio Trujilho alerta sobre riscos de pessoas obesas com problemas de saúde | Foto: Divulgação

Ansiedade x ficar em casa

Fábio Trujilho destaca que muitos dos problemas relacionados à ansiedade durante a pandemia são mais ligados ao viés psicológico do que ao físico, principalmente por conta da ansiedade ao ter que ficar em casa.

“Ficar mais em casa e não ir para o trabalho levam as pessoas a comerem por ansiedade o tempo todo. A incerteza do momento pode contribuir para isso”, comenta o médico.

Outros fatores que podem levar a um estilo de vida que gere ou agrave a ansiedade são a falta de movimentação, com a consequente diminuição de gasto de energia, e uma pior qualidade do sono, que está relacionada à qualidade de vida e ganho de peso.

Fábio aproveita para aconselhar as pessoas que estão em casa a utilizarem o momento para melhorar o estilo de vida, tanto na alimentação como com exercícios.

“O fato de estar em casa pode contribuir para que se coma por ansiedade mas, por outro lado, pode ser uma oportunidade da pessoa comer melhor. Oportunidade de fazer uma comida mais saudável, menos industrializada, não comer na rua, comer devagar e sem pressa”, explana o endocrinologista.

Alimentação saudável é fundamental

Manter a alimentação saudável é uma prática que não auxilia apenas o físico, mas também ajuda na manutenção da mente, do espírito e da vida social.

De acordo com o nutricionista João Pedro Gantois, existe um estigma de que ir ao nutricionista e seguir um plano dietético são sinônimos de restrições, fome, dificuldades e deixar de comer o que gosta. Mas este conceito precisa ser mudado.

“A sua dieta pode e deve conter alimentos agradáveis ao seu paladar. Afinal de contas, o grande objetivo do nutricionista é que o seu paciente consiga seguir a dieta, a ponto de que ela se torne um estilo de vida”, aponta João.

Nutricionista João Pedro comenta que é importante aliar alimentação saudável com exercícios | Foto: Divulgação

João analisa que o ganho de peso de pessoas obesas ‘não ocorreu da noite pro dia’ e que, por conta disso, prefere abordar de uma forma que diferente da restrição.

“Vejo como mais interessante começar a adicionar ao invés de restringir: passar a comer ao menos 5 porções de frutas e vegetais ao longo do dia, aumentar a ingestão de água, adicionar boas fontes de proteínas nas refeições, melhorar o fracionamento alimentar (mais vezes e menos quantidade), buscar uma atividade física que agrade e entrar em contato com um nutricionista e um educador físico, para ajudar no processo”.

Se movimente!

Como explicado pelo nutricionista João Pedro, além da dieta e de uma alimentação saudável, o paciente obeso pode buscar aliar a qualidade de vida com a ajuda, também, de um educador físico.

O educador físico e coach César Melo destaca a importância de se movimentar, mesmo estando dentro de casa com as restrições causadas pela pandemia do novo coronavírus.

Para César, uma pessoa obesa precisa sempre trabalhar a corpo, nem que seja com movimentos básicos. “Recomendo sempre movimentos básicos para não trazer nenhum tipo de lesão à pessoa, porque o obeso tem uma fragilidade muscular muito grande. Ele tem um grande tecido gorduroso no corpo, mas pouca massa magra”, orienta César.

Educador físico César Melo recomenda atividades com movimentos básicos para pessoas obesas | Foto: Reprodução | Instagram

Algumas das atividades listadas por César incluem movimentos como: agachamento, sentar e levantar da cadeira ou da cama, andar pela casa ou um deitar e levantar.

Contudo, apesar de parecer simples, é importante que estes exercícios sejam realizados sempre com o suporte de um profissional.

“Se movimente! Minha dica é se movimentar, trabalhar não só o físico, mas a mente também. Leia, converse, socialize (nem que seja por aplicativos de videoconferência), mas se movimente. Sedentarismo só causa doença e a pandemia, se você se permitir, acaba ficando mais doente por estar dentro de casa”, finaliza o educador físico.

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