Coveiros recebem equipamentos da Semop para se proteger contra o coronavírus

Coveiros recebem equipamentos da Semop para se proteger contra o coronavírus
"Com essa roupa eu já devo ter enterrado umas 30 pessoas. Tenho medo de me infectar, mas aqui as pessoas morrem mais na bala que de coronavírus", afirma Evaldo | Rafael Martins | Ag. A TARDE

Cinquenta é um número que não chama a atenção do presidente da república, Jair Bolsonaro, mas a de Evaldo Oliveira Silva, de 41 anos, sim. Ele trabalha como coveiro há sete meses num cemitério da capital baiana. Na manhã desta quarta-feira, 22, a 50ª morte foi registrada no estado. Uma senhora de 97 anos com histórico de hipertensão, Parkinson e Alzheimer estava internada desde 17 de abril em um hospital público da capital e faleceu na última terça-feira, 21.

Com o objetivo de diminuir a propagação do novo coronavírus nos cemitérios municipais de Salvador, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), através da Diretoria de Serviços Públicos (Dsep), adotou algumas medidas de proteção ao público presente nos velórios, aos funcionários e na limpeza desses ambientes. Evaldo foi um dos colaboradores que recebeu os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) fornecidos pela secretaria.

Ele comenta que foi bastante útil, porque ele pode se proteger e a cada enterro, ele tenta tirar o equipamento, tomar banho e utilizar álcool gel, para não se contaminar e levar a doença para as pessoas em casa.

“Com essa roupa eu já devo ter enterrado umas 30 pessoas. Tenho medo de me infectar, mas aqui as pessoas morrem mais na bala que de coronavírus”, afirma o coveiro.

A fala de Evaldo fica assegurada pelo número de 166 mortes registradas no boletim da SSP desde o dia 1º de abril até a última quarta-feira, 22, sendo que são 24 óbitos protocolados por coronavírus. Ou seja, aproximadamente 15 mortes, de 100, em Salvador, são por covid-19, quando comparados aos números criminais.

Porém, prevendo um possível aumento no número de óbitos causadas pelo Covid-19, a Semop irá entregar até o final de maio, 480 novas gavetas no cemitério de Plataforma, 120 em Paripe e no início de fevereiro já foram entregues 460 gavetas no equipamento de Brotas totalizando 1.060 novas vagas este ano.

Evaldo, porém, segue esperançoso, apesar de se comover, todos os dias, com os familiares das pessoas que enterra “Esse vírus passará logo, com fé em Deus”.

*Sob supervisão da editora Keyla Pereira

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