Comerciantes de Salvador são afetados com fechamento de estabelecimentos por causa do coronavírus

Comerciantes de Salvador são afetados com fechamento de estabelecimentos por causa do coronavírus
Shoppings de Salvador estão fechados desde sábado, 21Foto: Divulgação

Por Filipe Ribeiro* e Raphael Santana

Além do alto risco de infecção do novo coronavírus, não é só isso que tira o sono do soteropolitano em tempos de isolamento. As medidas impostas pelo Governo da Bahia e a Prefeitura de Salvador, como o fechamento de todos os shoppings desde o último sábado, 21, e o fechamento de bares e restaurantes a partir desta quarta-feira, 25, ambos durante 15 dias, afetam a economia da cidade e o bolso dos comerciantes e autônomos, que ainda não sabem como lidar com o surto da pandemia.

Na última quarta-feira, 18, o prefeito ACM Neto anunciou o fechamento de todos os shoppings de Salvador pelo período de 15 dias, como medida de conter o avanço da Covid-19 na cidade. A determinação, porém, afeta diretamente os lojistas que em alguns casos não têm alternativas para gerar renda durante este período de isolamento. É o que explica a sócia-administradora do estúdio de tatuagem Petersen Tattoo Art Studio, no Salvado Shopping, Tâmara Petersen, que continuará tendo despesas e não tem como continuar o atendendo os clientes.

“Sem dúvidas o fechamento de 15 dias afeta de maneira muito negativa o negócio, são 15 dias sem receita e com as despesas praticamente iguais, então com certeza a conta não vai fechar […] Como o negócio envolve o serviço presencial, é difícil que exista um plano B, não tem como fazer um home office ou algo parecido. Além disso, Tâmara diz que houveram tratativas com a associação dos lojistas do shopping para definir a situação dos funcionários do estúdio. “Estivemos em contato através da associação de lojistas do shopping e a orientação dos advogados é a de que podemos fazer banco de horas desses dias de fechamento, ou férias, optamos pela última opção e esperamos que ao final desses 15 dias a situação esteja melhor e possamos voltar a funcionar normalmente”, pontuou.

De acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), as vendas nos shoppings chegam, em média, a pouco mais de R$ 40 milhões por mês. Em 15 dias, a estimativa seria de R$ 20 milhões.

Segundo o coordenador da seção baiana da Abrasce, Edson Piaggio, a princípio a preocupação é com a saúde geral, e que após este período conturbado serão postas em prática medidas para ter o menor impacto possível nos empregos.  “Estamos vivendo um momento de tumulto e qualquer estimativa de prejuízo agora está sujeita a erros. Nesta primeira semana, estamos preocupados com a questão da saúde pública, em proteger os colaboradores e frequentadores dos shoppings. Nos próximos dias, vamos sentar e fechar esta conta, que eu tenho certeza que será muito grande. Já estamos desenvolvendo um planejamento para ter o menor impacto possível nos empregos”, analisa o coordenador Edson Piaggio.

A autônoma e representante comercial, Magda Caldeira, de 49 anos, trabalha diretamente com clientes dos shoppings centers, e neste caso ainda não consegue calcular os prejuízos que terá com o fechamento das lojas. Segundo ela negociar prazos com os clientes é o caminho para não perder vendas. “Com alguns clientes, a gente está conseguindo convencer eles a deixar os pedidos em stand-by, ou seja, estamos convencendo o cliente a não cancelar o pedido. Ele fica parado por tempo indeterminado no sistema, e depois, com cliente e empresa, estudamos o melhor horário de liberar os pedidos para faturamento. No momento, a grande maioria das empresas que eu represento não estão mais faturando. Algumas fecharam o faturamento na semana passada”, disse Magda.

Com prejuízos à vista, a autônoma ainda não conseguiu pensar em uma alternativa para gerar renda, mas diz que os familiares ainda conseguem absorver os impactos da instabilidade financeira durante a pandemia.

“Ainda não pensei em uma alternativa de renda durante o isolamento. Procuro deixar todo meu trabalho em dia e organizado para quando eu tiver possibilidade de voltar a agir, essa parte já esteja organizada para poder me ajudar no meu roteiro. Espero nos próximos dias pensar em alguma alternativa porque a gente sabe que vai atravessar um período muito difícil. Aqui em casa somos em quatro, eu ficarei sem renda, mas tem outras pessoas aqui que, por enquanto, não tem previsão de terem suas rendas cortadas, então estou amparada. Mas existem pessoas que não, que moram sozinhas ou que não tem outra pessoa dentro da sua casa provedora de renda. Então essas pessoas que precisam da nossa solidariedade”, explicou.

Não só os grandes centros de compra foram afetados pelo novo coronavírus. Uma nova medida determinada pelo prefeito de Salvador nesta segunda-feira, 23, também fechará as portas de bares e restaurantes. Quem sofrerá este impacto é a comerciante Inês Seixas, de 60 anos, proprietária de um restaurante no Centro Histórico de Salvador. “As pessoas que estão com restaurante físico vão quebrar. Estamos todos muito apreensivos, porque os estabelecimentos estão abastecidos, não tem cliente e não sabemos o que fazer com os alimentos. As contas também não param de chegar. Até agora não consegui parar e calcular o prejuízo, mas devo fechar com dívida, já que tenho empregados e muitos impostos a pagar”, conta a comerciante.

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