Cinema ao ar livre é alternativa na pandemia: ‘Experiência mais democrática’

Cinema ao ar livre é alternativa na pandemia: ‘Experiência mais democrática’
Cine Rodas exibe curta-metragem ao ar livre e sem custosFoto: Divulgação

Criado pelos irmãos franceses Auguste e Louis Lumière, em 1895, o cinema sempre esteve em constante evolução. Inicialmente sem cor, a sétima arte ganhou brilho, em 1902, no filme “Como uma experiência”, de Edward Raymond; e adquiriu som apenas em 1927, com o musical “O Cantor de Jazz”, de Alan Crosland. Nos tempos atuais, as projeções cinematográficas ganharam contornos cada vez mais interessantes e, de certa forma, acessíveis, para o que antes era apenas um espetáculo ao alcance da elite. 

Marcado por constante evolução, o acesso à sétima arte também precisou se reinventar durante a pandemia, período marcado pelo isolamento social, tão diferente das aglomerações comuns nas salas de cinema.

“Estava andando na orla e, de repente, vi o telão. Foi bem legal, porque é difícil a gente achar esse tipo de projeto ao ar livre. É uma atividade que você pode fazer livremente, eu acho muito legal, porque é uma inclusão de cultura”. O relato é da estudante Kauana Médici, moradora de Aracaju, Sergipe, após se deparar com o projeto gratuito Cine Rodas.

Iniciado antes da pandemia, a carreta, que antes era uma sala de cinema, onde as pessoas entravam para ter uma experiência semelhante ao modelo tradicional e realizar atividades educativas, acabou se adaptando à nova realidade imposta pelo surto da Covid-19.

A acessibilidade encontrada no projeto, que percorre diversas capitais do Nordeste, foi um dos pontos que mais chamou a atenção de Kauana, que pôde curtir com a família a passagem da atração sobre rodas pela capital sergipana. “Tem gente que não tem acesso ao cinema convencional, por questões financeiras e de acesso. No interior ou até mesmo na capital. E quando você vê algo que é livre, é gratuito e que pode ter acesso para assistir a um curta-metragem, é massa, é legal”, conta animada.

Em conversa com Portal A TARDE, a diretora teatral e idealizadora do Cine Rodas, Sueli Parisi, contou como nasceu a iniciativa. “Somos grandes amantes e consumidores de arte. Levar arte e cultura, assim como poder despertar o interesse das pessoas pelo processo de criação, é o que nos inspira em todos os nossos projetos. Por conta da pandemia, adaptamos a carreta para que ela se torne um grande telão a céu aberto, garantindo assim a segurança sanitária dos espectadores, com o bônus de termos uma tela ainda maior e mais lugares disponíveis. No fim das contas, a experiência ficou ainda maior e mais democrática”, avalia.  

Lazer na pandemia

Projeto percorre o Nordeste brasileiro levando filmes com foco no público infanto-juvenil | Foto: Divulgação

Questionada sobre a importância de promover momentos de lazer, principalmente neste período, a diretora teatral ressalta a necessidade de projetos como este. “A população, neste momento de quase total reclusão, busca oportunidades seguras de entretenimento e é exatamente isso que oferecemos. Um cinema ao ar livre, com todas as medidas de segurança. Hoje, o Cine Rodas é a oportunidade perfeita para quem deseja um momento de lazer com filmes encantadores e familiares”, pontua.  

Seguindo o planejamento, o programa, que conta com conteúdos que normalmente não são exibidos em cinemas comuns, deve chegar a Salvador no início de novembro. Nesta sexta e sábado, 30 e 31, o Cine Rodas estará no Alto do Rosário, em Feira de Santana.

“Os filmes são animações, desenhos e filmes de curta metragem. Alguns títulos nacionais, como “O Fim do Recreio”, e outros internacionais, a exemplo de “The Gebonions”, uma série de animação 3D Canadense de Aju Morn, foram convidados a fazer parte da exibição e conquistaram o público por serem extremamente cativantes, com execução impecável e muito bom gosto, selecionados não apenas para entreter, mas também para proporcionar reflexões sobre temas como inclusão, sustentabilidade, meio ambiente e tolerância”, diz Sueli Parisi.   

Com agenda já para 2021, o projeto já estuda como manter a estrutura, mesmo com o retorno dos cinemas tradicionais pelo país.

Prevenção

De acordo com o infectologista Claudilson Bastos, em entrevista ao Portal A TARDE, mesmo em meio ao processo de flexibilização apontado nas principais cidades do país, hábitos, como a utilização das máscaras, não devem ser esquecidos. “É relevante nesse tipo de situação, que fique claro na população a importância do uso correto de máscaras. Muitas pessoas não estão fazendo isso. Usar cobrindo o nariz e a boca, porque a transmissão é oral”, pontua.

Ressaltando o foco em um chamado tripé da segurança, composto pela utilização correta das máscaras, o respeito ao distanciamento e a higienização eficaz das mãos, o especialista defende o respeito às práticas mesmo após uma possível vacina. 

“Se fizermos isso, nós evitaremos grandes problemas como aconteceram em um passado recente. Muitas mortes, muitos infectados e é por aí. Obviamente, o distanciamento, o lockdown, o isolamento ele tem um limite, mas essa questão, até chegar a vacina e mesmo com ela, é ideal”, conclui Claudilson Bastos.

*Sob supervisão do editor Vinícius Ribeiro

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