“A situação dos artistas e do mercado cultural é muito grave”, afirma Fernando Oberlaender

“A situação dos artistas e do mercado cultural é muito grave”, afirma Fernando Oberlaender
"A MP é fundamental para a subsistência de uma classe que já vinha sofrendo", declarou o artista plástico e editorFoto: Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) editou a Medida Provisória (MP) que libera R$ 3 bilhões a estados e municípios para o pagamento do auxílio financeiro ao setor cultural. A MP foi publicada no Diário Oficial da União, na madrugada desta sexta-feira, 10. O projeto tinha sido sancionado pelo presidente no dia 29 de junho. A lei ficou conhecida como Lei Aldir Blanc, em homenagem ao compositor que morreu em maio, vítima da Covid-19 (novo coronavírus).

De acordo com o projeto, de autoria da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), o objetivo é ajudar os profissionais da área e os espaços que organizam manifestações artísticas, que, em função da pandemia, foram obrigados a suspender as atividades.

O artista plástico e editor Fernando Oberlaender acredita que a MP demorou a chegar. “A situação dos artistas e do mercado cultural é muito grave. A MP é fundamental para a subsistência de uma classe que já vinha sofrendo. Tenho certeza que a classe artística, o mercado da arte, tem uma vantagem, porque todos são criativos e conseguem se superar, mas tem que ter o básico”, declarou em entrevista ao programa Isso é Bahia, na rádio A TARDE FM, na manhã desta sexta-feira, 10.  

Ele aproveitou a oportunidade para criticar o Governo Federal, que “não valoriza a vida”. “A gente sofre muito com todas as áreas ligadas à vida neste governo. Temos uma pandemia, não temos ministro da Saúde, ministro da Educação. Temos a cultura que sempre foi relegada desde o inicio. O setor cultural sofre muito e essa ajuda é super bem-vinda”.  

O projeto de Lei prevê que o benefício para a área de cultura não necessariamente seja controlado pelo Governo Federal, como ocorre com o auxílio emergencial. Oberlaender se mostrou favorável que a distribuição dos recursos da lei emergencial seja feita pelos estados. “Isso tem uma lógica: não tem como o Governo Federal distribuir bem este recurso, porque não conhece as características regionais de cada ‘Brasil’ tem em relação à cultura. Quem pode mais julgar isso é estado e município”, afirmou.

Mudança de comportamento

Pensando no período pós-pandemia e prospectando o futuro, naturalmente os conceitos de aglomeração serão outros. O artista plástico e editor acredita que esta pandemia já trouxe uma mudança. “Ninguém quer, de alguma maneira, aceitar as mudanças de comportamento. Um reflexo grande aqui na Bahia de uma mudança positiva de comportamento. Temos um governador (Rui Costa) e um prefeito (ACM Neto) que se aliaram em prol da vida. Eles são adversários políticos e estão juntos tentando preservar a vida. Isso é fantástico”.  

Ele conclui com uma crítica à postura adora por parte da população. “Temos que nos adaptar. As pessoas não estão entendendo. As pessoas estão lidando com essa crise como se fosse acabar e tudo vai voltar ao normal. Não vai, não. Nós temos que repensar, temos que nos reinventar. Todo mundo vai perder com a crise. Eu luto dentro da minha conduta para que quem tem menos perca menos”.

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