Políticos evangélicos baianos apoiam decreto sobre atividades religiosas, mas divergem quanto aos cultos presenciais

Políticos evangélicos baianos apoiam decreto sobre atividades religiosas, mas divergem quanto aos cultos presenciais
Deputado federal pastor Sargento Isidório apoiam funcionamento dos templos apenas para acolhimento individualDivulgação | Avante

Raul Aguillar

Grande parte da bancada evangélica da Bahia apoia o Decreto nº 10.292/2020, publicado na última quinta-feira, 26, que ampliou a lista de serviços considerados essenciais na emergência de saúde pública decorrente do novo coronavírus, incluindo o funcionamento de atividades religiosas e lotéricas. Apesar da maioria sinalizar que o ato é importante para manutenção das “portas abertas” nas igrejas, eles divergem quanto às atividades que deverão ser adotadas nesses templos que manterão o funcionamento.

Aproveitando o clima de festa provocado pelo decreto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em alas católicas e evangélicas, o deputado estadual e pastor evangélico da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Jurailton Santos (Republicanos), apresentou, no mesmo dia, um Projeto de Lei que estabelecendo como atividade essencial as igrejas e templos de qualquer culto, em períodos de calamidade pública no Estado da Bahia – como o que está em vigor no estado, motivado pela pandemia do coronavírus -, vedando o fechamento total destas instituições.

O deputado federal e pastor evangélico da Igreja Assembleia de Deus, pastor Sargento Isidório (Avante) afirma que o decreto reforça o versículo bíblico que está no livro de Mateus, onde afirma que “as portas do inferno não prevalecerão sobre as portas das Igrejas”. Mas avalia que a abertura dos templos não significa liberação para cultos, que, segundo defende, devem ser feito apenas pelos meios digitais, como recomenda o Ministério da Saúde. Ele faz parte dos políticos evangélico que apoiam o funcionamento dos templos apenas para acolhimento individual, de forma a evitar as aglomerações.

“As portas dos templos podem e devem ficar aberta. Agora, quaisquer líderes religiosos que tenha equilíbrio e que respeita os seus fiéis, as suas ovelhas, que são quem paga dízimo, oferta, inclusive para assalariar e para manter a obras; Esses fiéis precisam ser preservados. Não existe motivos para que em um momento desse, de crise, onde as autoridades sanitárias no mundo inteiro diz para ficar em casa, um líder, seja ele quem for, pedir para suas ovelhas sair de casa e ir ao templo; A não ser que seja uma questão financeira, que seja uma questão apenas do níquel, que estejam preocupados com dinheiro”, pontua Isidório.

O pensamento do deputado federal é endossado pelo filho, o deputado estadual pastor Isidório Filho (Avante), que acredita que em momentos de crise, a exemplo do que o país está passando, provocado pela pandemia do coronavírus,“as igrejas, os templos religiosos acabam sendo a última porta aberta para pessoas reportarem suas angústias, suas dores”.

Isidório Filho afirma que o momento é de seguir medidas sanitárias e evitar os cultos presenciais, o que segundo ele não significa fechamento das igrejas, mas a suspensão temporárias dos cultos. “Onde estiver duas, três pessoas em oração, neste lugar está Jesus. Então, neste momento atípico e inesperado de pandemia, cada um de nós, evangélicos, católicos, espíritas, enfim, de todas as religiões, podem e devem estar cultuando a Deus em suas próprias casas, fazendo uso da tecnologia com cultos on-lines”, afirma o deputado estadual do Avante.

Contrário a essa tese está o deputado estadual Samuel Júnior (PDT), que é evangelista da. Convenção Estadual das Assembleias de Deus da Bahia (Ceadeb). Ele afirma que, acolhida medidas sanitárias proposta pelo Ministério da Saúde, governo do estado e pelas prefeituras, é possível manter os cultos nos templos, que garante ser um “refúgio para os que estão aflitos e ansiosos, necessitados de um consolo, palavra de ânimo e oração”.

“Creio que seja viável a realização de cultos, desde que sejam feitas as adequações necessárias para evitar a disseminação viral entre os membros, como a utilização de álcool em gel nas entradas das Igrejas, a utilização do microfone no pedestal para evitar o contato com objetos, a manutenção de pelo menos dois metros de distância entre as pessoas e o respeito ao número máximo de 50 fiéis reunidos”, explica Júnior.

Outro político vinculado à Ceadeb é o deputado federal e pastor evangélico Alex Santana (PDT). Para ele, os pastores são “agentes auxiliares emocionais” em momentos de dificuldade e crise humana. Apesar de concordar que o decreto é importante para manter as igrejas de funcionando, ele avalia que esse funcionamento não deve implicar necessariamente na realização de cultos nos templos.

“Uma pessoa que perde um familiar, onde irá se abrigar nesse momento difícil? A não ser na fé, no apoio pastoral, de uma paróquia, de um padre, que está ali para dar uma palavra de conforto, de auxílio, de ajuda para aquela família enlutada. Eu acho que a gente, como igreja, deve estar de portas abertas; Não estou falando de cultos, mas de portas abertas dando assistência para essas pessoas, de maneira que não sejamos vetor, propagador ou disseminador do vírus”, explica o deputado federal do PDT.

O vereador de Salvador e pastor da IURD, Luiz Carlos (Republicanos), defende o funcionamento dos templos para receber com “regozijo”as pessoas que precisam de um acolhimento diante do cenário de coronavírus e do isolamento social. Ele revela que muitas pessoas têm procurado os templos religiosos cristãos para se batizarem, como recomenda o Novo Testamento. Para ele, cabe ao fiel escolher como será o seu acolhimento, que poderá ser feito “através de um culto online ou por uma oração presencial individual”.

“A pessoa, tendo um templo aberto para recebê-la, onde ela possa ir pessoalmente receber uma oração, se conectar com Deus, suaviza esses impactos, a aproxima de Deus, tornando-a mais forte para enfrentar esses e outros problemas que possam surgir. Não há como negar os efeitos positivos causados pela igreja; Claro, respeitando todas as orientações do Ministério da Saúde”, ressalta Carlos.

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  • PAULO PRINGSHEIM
    30 de março de 2020, 08:44

    Deus podia aproveitar e levar toda essa escória para as profundas do inferno.!!!

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