Pessoas fazem ações solidárias para ajudar trabalhadores informais

Pessoas fazem ações solidárias para ajudar trabalhadores informais
Sem vender pipoca, José ganhou ajudaFoto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

Por Bruno Brito*

A pandemia causada pelo novo coronavírus trouxe consigo reflexos para os mais diversos setores da sociedade. Com a suspensão de aulas e a recomendação de isolamento social, os trabalhadores informais compõem um dos grupos mais afetados deste cenário. Mas, enquanto a Covid-19 traz apenas informações negativas, diversas demonstrações de solidariedade dão aos trabalhadores um horizonte de esperança.

Nesse momento de complicações financeiras geradas pela baixa nas vendas, diversas pessoas estão se reunindo e realizando doações, bem como a criação de uma rede de divulgação solidária para ajudar os trabalhadores a realizar vendas durante este período.

Entre as mais diversas iniciativas, a de Alexandre Córes, 12, aluno do Colégio Oficina, na Pituba, buscou ajudar os ambulantes que trabalham no entorno da unidade escolar. De acordo com ele, a ideia surgiu após uma conversa com o pai. “Nós estávamos conversando sobre como seria a quarentena para essas pessoas. Elas não têm uma renda fixa e teriam problemas durante esse tempo. Daí surgiu a ideia de juntar um grupo de pessoas para fazer uma doação no intuito de ajudá-los”.

Estudante do 8º ano, Alexandre inicialmente tentou mobilizar pessoas da sua sala por meio de um grupo no WhatsApp, mas logo a ideia se expandiu e, até o momento, cerca de 30 pessoas já compõem o grupo de colaboradores, que conta com cinco trabalhadores para receber as doações. “Inicialmente, pensamos apenas na minha turma. Mas acabou que fomos compartilhando e surgiram novos interessados em doar. Até o momento, conseguimos ajudar cinco pessoas, mas pretendemos ajudar ainda mais”, contou.

Entre as pessoas beneficiadas com esse ato de solidariedade está Adriana Paraíso, 31, que vende lanches há cinco anos na região do colégio. Ela, que foi pega de surpresa com a situação causada pela pandemia, classificou a iniciativa como louvável. “Eu não me preparei, sempre faço minhas economias pensando no período de férias. Já nesse momento, logo após a volta do Carnaval, não estava preparada. Essa atitude eu nunca imaginei que podia acontecer, vivemos em uma sociedade com tanta coisa ruim, aí vemos essa iniciativa linda, muito louvável”, descreveu.

Adriana ainda indicou que sua maior preocupação durante a pandemia está relacionada ao seu filho, de 1 ano. “Eu não tinha nenhuma reserva para suprir as necessidades básicas, tanto minhas quanto do meu filho. E, lógico, minha preocupação sempre será ele, e como eu dependo da escola para tirar minha renda, seria complicado atravessar esse período. A ajuda foi muito importante, eu consegui comprar fraldas e leite, que são produtos de necessidade do meu filho”, indicou.

Depósito em conta

Outra atitude de solidariedade em meio ao período de pandemia aconteceu com José dos Santos, 56. Ele trabalha como pipoqueiro há 40 anos, na porta da escola Girassol, no Itaigara, e, desde a sinalização da suspensão das aulas, ficou sem saber como atravessaria esse momento.

De acordo com ele, pais e alunos se sensibilizaram com a situação. A partir daí, reuniram-se e fizeram um depósito na sua conta, com o intuito de ajudá-lo. “O pessoal se comoveu com minha situação, de estar sem renda. Eles pediram minha conta e fizeram uma doação muito importante, que vai me ajudar a atravessar essa situação tão complicada”.

Coincidentemente, José recebeu a colaboração em meio às comemorações do seu aniversário de 56 anos. Para ele, esse foi o melhor presente que poderia ter recebido. “Estou completando 56 anos nesta sexta e me senti lisonjeado. Fiquei muito emocionado, desde a primeira pessoa que se mobilizou. No início eu fiquei preocupado, mas essas pessoas apareceram e tiveram essa atitude maravilhosa”, agradeceu.

Uma forma também encontrada para levar benefícios aos trabalhadores informais durante este período foi usar de um grupo de ‘divulgação solidária’ no aplicativo WhatsApp, para compartilhar o serviço de pequenos comerciantes. Dessa forma, o comerciante será levado até o cliente de forma mais rápida e objetiva.

“Na crise que estamos passando, a rede social é um forte instrumento, nós podemos usá-la em prol de um bem maior. A gente os ajuda, compartilhando informação. Sempre que alguém procura por algum serviço, mostramos os pequenos comerciantes que trabalham com aquilo. Foi uma forma encontrada para ajudar, ser solidário”, contou Rita Bezerra, 53, professora.

A iniciativa, que surgiu no WhatsApp, já se expandiu até o Instagram. A corrente do bem surgiu na busca de ajudar na sobrevivência dos pequenos comerciantes.
“O grupo foca na sobrevivência desse comerciante, fazendo com que ele consiga acreditar que é possível. Que, com a ajuda das redes sociais, nós podemos mudar essa situação e assim elevar a autoestima para esses profissionais”, ressaltou Rita, a idealizadora do grupo, que carrega o nome de “onde tem aqui” no WhatsApp e de “ondetemba” no Instagram.

Carolina tem ido bem na venda de doces | Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE

Iniciativas criativas aumentam vendas

São diversas as formas de expressar solidariedade. As demonstrações de empatia podem surgir em grupos de WhatsApp, reunindo interessados em realizar doações, em divulgações por meio do Instagram ou até com as ‘vaquinhas online’, que são campanhas criadas na internet com o objetivo de ajudar em causas sociais, problemas de saúde, etc.

Foi por meio da movimentação no WhatsApp que Carolina Targino, de 35 anos, conseguiu esgotar seus produtos. Ela, que trabalha como confeiteira, passou a contar com a contribuição de grupos de divulgação solidária e, rapidamente, teve seus doces esgotados em meio à grande demanda.

Logo no início das medidas de isolamento, a atitude dela foi comprar materiais para encarar o período complicado que estava por vir. “Quando as medidas começaram, eu e meu esposo já estávamos sem trabalho há semanas. Comprei os insumos, fiz doces e bolos, montei um panfleto virtual e comecei a distribuir entre conhecidos e grupos de WhatsApp. Começaram a espalhar e fiquei em choque com a empatia das pessoas, rapidamente os doces se esgotaram”, comemorou.

Em meio ao momento vivido devido ao coronavírus, Carolina recorreu ao pagamento via transferências bancárias, para que se pudesse evitar o contato social, além de adotar valores acessíveis para os produtos, que variam entre bolos, palha italiana, brownie e outros semelhantes.

“Com a divulgação no WhatsApp, passei a recorrer às entregas em domicílio, além de porções pequenas, individuais, valores acessíveis, pois todos estão economizando, e sabores coringa, que todo mundo gosta”, destacou.

Adriana Paraíso, vendedora informal beneficiada com uma das ações solidárias: “Vivemos em uma sociedade com tanta coisa ruim, aí vemos essa iniciativa linda, louvável” | Foto: Laryssa Machado | Ag. A TARDE

Vaquinha

Além do método que beneficiou Carolina, a vaquinha online é uma saída que tem ganhado cada vez mais espaço, quando o assunto é ajudar o próximo. Pelo fato de acontecer pela internet, a vaquinha pode reunir diversas pessoas para contribuir com um objetivo financeiro. Por meio dela, é possível receber contribuições por boletos que são gerados, de forma virtual, bem como por transferências bancárias.

Na internet, existem diversos sites que possibilitam a criação de uma vaquinha, de forma gratuita. Para quem quiser fazer uma vaquinha, mas de maneira mais informal, é possível partir de um grupo de WhatsApp, como Alexandre fez na ajuda oferecida à vendedora Adriana Paraíso.

“Criamos um grupo e compartilhamos o link para as pessoas entrarem nele. De início, as doações eram de R$ 50, mas logo expandimos para qualquer valor. Queremos que a pessoa fique à vontade para contribuir da maneira que achar melhor, o importante é ajudar. Aconteceu de um meio informal, em torno de uma causa muito nobre”.

*Sob supervisão da jornalista Hilcélia Falcão

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