Funcionários do Atakarejo denunciam aglomerações, falta de álcool em gel, máscaras e luvas em lojas

Funcionários do Atakarejo denunciam aglomerações, falta de álcool em gel, máscaras e luvas em lojas

Por Raul Aguilar

Os funcionários da rede atacadista Atakarejo estão reclamando das aglomerações e da ausência de equipamentos de proteção e de combate ao coronavírus. Um funcionário da loja que fica no bairro de São Cristóvão, em Salvador, informou ao A TARDE que estão trabalhando sem álcool em gel, luvas e máscaras.

“O mercado está lotado, sem segurança nenhuma para os funcionários e clientes. Alguns colegas já foram afastados com suspeita de coronavírus. Hoje, uma colega saiu às pressas pois estava sentindo falta de ar e o nariz corizando. A todo momento entram clientes com máscaras, pessoas com sintomas de gripe. Estamos expostos e o nosso empregador diz que está nos dando a assistência necessária e que até adiantou bonificação para os seus associados, mas isso é mentira”, afirmou o funcionário que não quis se identificar.

Ele afirma que alguns funcionários dos caixas levam luvas de casa para se protegerem, e alerta que outros, por não terem, trabalham sem o equipamento e temem a contaminação, já que o dinheiro pode ser um dos vetores para o novo coronavírus.

A caixa de outro supermercado da rede Atakarejo, que fica no bairro de Pernambués, falou do receio da loja continuar recebendo aglomerações. “Aqui, nós trabalhamos com medo. O povo chega aqui gripado, espirrando e não podemos nem limpar as mãos com álcool após pegar no dinheiro. Falamos com o gerente e com os supervisores, mas ninguém faz nada”, afirma a atendente, que também pediu para não ser identificada.

Na madrugada, o proprietário da rede Atakarejo, Teobaldo Costa, publicou um comunicado em uma rede: “seguimos nos esforçando para melhorar e aperfeiçoar nossas condições de trabalho e venda. Mandamos para casa os funcionários em grupo de risco ou que apresentem sintomas de gripe, e isso afeta nosso funcionamento. Não à toa, apenas supermercados, o setor de saúde, incluindo farmácias, e o de segurança pública continuam funcionando. Pela importância que temos. Abertos, evitamos o pior”.

A nota fala sobre o excesso de clientes nos supermercados, que segundo o dono, foi motivado pelo “pânico” que gerou uma “corrida exagerada às lojas”. “Infelizmente, o pânico gerou uma corrida exagerada às lojas. Esse é um problema que todas as redes passam em todo o mundo, inclusive em nossa cidade e em nosso estado. Repito: todas as redes estão com o mesmo problema”, reiterou o proprietário no texto.

A nota trata também sobre as queixas dos funcionários e assegura que o mercado continuará de portas abertas. “Estamos empenhados em ampliar as condições de segurança e saúde dos nossos funcionários e clientes, em alinhamento com as autoridades sanitárias, diante da falta generalizada de itens de proteção, para o consumidor e para os supermercados. E seguiremos ajustando e tomando providências para melhorar nossas operações, preservando empregos, a saúde dos funcionários e garantindo o abastecimento dos lares da Bahia”, diz o comunicado.

Na manhã desta segunda-feira, 23, o estabelecimento se pronunciou, através de uma nota pública, sobre o assunto. “A rede Atakadão Atakarejo informa que segue mantendo todos os cuidados com seus colaboradores. Todas as orientações de higienização estão sendo dadas, bem como materiais para tal fim, conforme orientação do Ministério da Saúde. Em relação a hora extra, cumprimos todas as leis trabalhistas. Também há um reforço em alimentos que aumentam a imunidade, orientado pela nutricionista e, caso alguém apresente sintomas, o mesmo é encaminhado para a assistência médica e afastado para que permaneça em quarentena”.

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13 Comments

  • All
    23 de março de 2020, 00:08

    Privilégio pra quem é dono de mercado e farmácia!

    Tinha que monitorar, restringir horário, restringir aglomeração.

    Fechar lojas, academias, etc, só vai servir pra matar muito mais gente de fome.

    Será que um governo federal que se diz liberal e demoniza o social vai atender aos milhões que vão falir nos próximos meses?

    Será que é inteligente poupar alguns milhares de morrerem do vírus e matar milhões sem emprego, sem dinheiro e sem comida?

    A catástrofe econômica pode ser muito pior! Quebra-quebra, gente matando pra roubar comida do outro, todo tipo de selvageria se a quarentena demorar mais de um mês.

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    • Leo@All
      23 de março de 2020, 06:54

      Sera que voce ainda não entendeu que se trata de um problema mundial de saúde? Ou vai ser preciso o virus chegar ai no Brasil, começar a matar um monte de gente para voce poder realmente se dar conta do tao grave é a situação. E o governo, tem a obrigação de ajudar vocês!

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      • Jessica@Leo
        23 de março de 2020, 09:57

        Bom infelizmente não tem como fechar os mercados, mais tem como o governo colocar uma ordem de limitação, pois nós funcionários estamos sofrendo com isso superlotação dos mercados pedimos a toda população que fiquem em casa, e realmente a empresa não está dando álcool em gel para ninguém fica um no sac outro nos pequenos outro na entrada de loja , como é q vamos ficar levantando toda hora não tem como, teobaldo é um mentiroso só estar pensando no dinheiro, não liga pra saúde de seus funcionários

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  • Lourdes
    23 de março de 2020, 10:31

    Verdade. O Atakarejo de Brotas estava lotado na quinta feira passada. Tinha álcool na entrada. E nos corredores estavam vazios os vasilhames. Os caixas desprotegidos. As filas enormes.

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    • Jose@Lourdes
      23 de março de 2020, 11:30

      O Governo tem que publicar uma lei que permita aos atendentes a uso dos UPIS, urgente.

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  • Micaeli do Nascimento Gomes
    23 de março de 2020, 11:21

    Trabalho no Atakarejo do Cábula, e esses dias está super lotada malmente dar pra caminhar na loja, não nos oferecem nenhum equipamento de trabalho, Luvas, máscaras, e os fracos de alcool gel só andam vazios… com essa pandemia terrível invés de se falar em diminui a jornada de trabalho, a empresa só fala em hora extra querendo que o funcionário se exponha além do limite. Sei que o mercado precisa ficar aberto mais poderia limitar a entrada para evitar aglomeração. Além disso que querer obrigar as operadoras a trabalhar 10 horas de relógio.

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  • Alfredo
    23 de março de 2020, 12:17

    É estarrecedor como o genocídio está sendo desejado e defendido. Estamos vendo gente torcendo pela morte de gente, trabalhador se tornou lixo descartável para atender os de melhores condições, a contaminação começou com os patrões passando para as empregadas contaminando sua família. Supermercado aberto é essencial mais não expor os pais e mães que ali trabalham e ainda contaminando seus familiares. Se é pra morrer, que morra lutando.

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  • Danilo
    23 de março de 2020, 18:09

    Recebemos informações que estão proibindo as pessoas de utilizarem máscaras e os que não cumprem são duramente hostilizados! Vergonha!

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