“Estamos entregues à própria sorte”, diz porta-voz da IIha de Maré em meio a pandemia

“Estamos entregues à própria sorte”, diz porta-voz da IIha de Maré em meio a pandemia
Ilha de Maré, na Baía de Todos-os-SantosIracema Chequer | Ag. A TARDE

Com vários casos do novo coronavírus já registrados em comunidades de Salvador, moradores dos bairros periféricos estão apreensivos em relação ao avanço da doença. Líderes comunitários lamentam a falta de informação para as comunidades das áreas mais carentes. Para dar voz a uma destas comunidades, a pescadora e líder comunitária da Ilha de Maré, Eliete Paraguassu, participou (por telefone) do programa ‘Isso é Bahia’, na Rádio A TARDE FM, na manhã desta sexta-feira, 27.

Segundo Eliete, a Ilha de maré, tradicional território quilombola, vem sofrendo as consequências da pandemia do novo coronavírus. De acordo a pescadora, a Prefeitura de Salvador ainda não vem empregando na localidade ações informativas sobre os procedimentos de prevenção à Covid-19.

A líder comunitária apontou descaso. “Nos isolamos por conta própria. Grande parte dos 10 mil moradores da Ilha trabalham para subsistência, são pescadores e artesãos. Será difícil manter o isolamento sem auxilio das autoridades na região”.

A falta de recursos é um grande problema enfrentado pelos moradores da ilha: “Estamos sem álcool em gel, tem nas escolas, mas a comunidade não podem utilizar, não podemos ir para a cidade, mas a cidade pode vir até nós”.

“Tem um ano que não temos médico no posto do Programa de Saúde da Família, que está fechado. Até as informações mais básicas o poder publico não está oferecendo”, lamentou.

População vulnerável

Eliete lembrou que a Ilha de Maré está localizada entre grandes complexos industriais da Bahia, o Porto de Aratu e a Refinaria Landulpho Alves, e, por isso, a população sofre consequências. “Nossa população é muito vulnerável, temos muitos asmáticos, idosos, muitos casos de anemia falciforme, estamos entregues à própria sorte”, afirmou, ressaltando que embarcações particulares continuam atracando na região.

Em tom de clamor, a líder comunitária pediu atenção ao Poder Publico. “O racismo prevalece, olhem para nosso território, não nos enxerguem como coitados, mas como sujeitos com direitos. Precisamos do básico, não temos saneamento. É necessário que a Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre) e a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS) se posicionem, até o momento as vacinas de saúde para os idosos não chegaram, precisamos do PSF aberto, estamos sem alimentação, estamos ilhados”, apelou.

*Sob a supervisão do editor Vinícius Ribeiro

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